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CONSANGÜINIDADE
SUA IMPORTÂNCIA NA CRIAÇÃO ATUAL


José Walter Santos Ferro
Criador e Juiz de Criação e Seleção da SBCPA


Em 1986 escrevi o artigo "Criação de Cães da Mesma Linha de Sangue", mostrando a importância de um bom programa de criação, com animais de homozigoticidade conhecida, com características semelhantes herdadas tanto da mãe quanto do pai e que sejam parentes relativamente próximos. Ou seja, a simplificação da fórmula de criação como ponto de partida para o desenvolvimento de prepotência genética nos animais e conseqüente obtenção de resultados. Esse artigo despertou interesse de criadores de cães, e até mesmo de outros animais, após sua publicação na edição de 14/05/1987 do jornal O Estado de São Paulo (Coluna Cinófila de Antonio Carvalho Mendes).

Não pretendo neste novo artigo voltar a falar sobre cromossomos e outros fundamentos da genética, mas apenas mostrar o nível de utilização de consangüinidades na criação atual do Pastor Alemão na Alemanha, os encadeamentos sucessivos de consangüinidades múltiplas e a conseqüente simplificação do universo genético gerado por essa prática, que, em última análise, é a grande responsável pela evolução e fixação do padrão fenotípico atual.

Fiz um levantamento das consangüinidades de 150 cães pastores alemães, todos eles integrantes do grupo dos ausleses ou VA's, como são chamados os soberbos animais adultos escolhidos entre os excelentes na principal exposição da raça na Alemanha, a Bundessieger-Zuchtschau ou simplesmente Siegerschau, que acontece uma vez por ano. Cerca de 300 animais adultos são apresentados na classe selecionados (machos e fêmeas em separado) e menos de 10% do total são escolhidos como ausleses ou VA's. Passam por essa peneira de malha fina apenas os animais de muito boa construção anatômica, de boa fortaleza e tamanho adequado, com muito bom desempenho na prova de coragem e que demonstrem, através de grupos de progênie, transmitir boas qualidades aos seus descendentes. São ainda pré-requisitos de um cão VA possuir grau elevado de adestramento e todos os seus ascendentes até o 2º grau (pais e avós) terão que ser igualmente selecionados. Um cão selecionado é aquele que, tendo estrutura conforme o padrão da raça, tenha sido avaliado e aprovado por um juiz selecionador, após cumprir os seguintes pré-requisitos: a) ser isento de displasia coxofemoral; b) possuir grau de adestramento mínimo de CG1 - Cão de Guarda Grau 1 e c) ser aprovado em um exaustivo teste de resistência física. Devo esclarecer, no entanto, que estes são os requesitos de seleção exigidos na Alemanha e em vários outros países, existindo pequenas variações em outros países. No Brasil, por exemplo, foi abolida a prova de resistência há vários anos e o grau de adestramento mínimo exigido, que era o CA (CA é uma prova equivalente ao CG1 sem incluir a seção de faro) foi reduzido para o CAB, que é uma prova básica, com poucos exercícios e de fácil execução.

Iniciei o estudo com as consangüinidades do bicampeão Uran vom Wildsteiger Land, o VA1 ou sieger alemão de 1984 e 1985. Na prática as consangüinidades são consideradas somente até o 5º grau, ou seja, o mesmo ascendente aparece duas ou mais vezes até a 5ª geração de um pedigree. Uran, por exemplo, foi criado com 2 consangüinidades. Este filho da legendária Palme vom Wildsteiger Land com Irk vom Arminius era consanguíneo 4,5-5 em Quanto Wienerau (trisavô e tetra-avô pelo lado paterno do pedigree e tetra-avô pelo lado materno). Também era consanguíneo 5-5 em Gitta Asterplatz e Liane Wienerau (irmãs por parte de pai e mãe). A bicampeã Tina vom Grossen Sand, a VA1 ou siegerin de 1984 e 1985, tinha 3 consangüinidades. O outro filho de Palme, o bicampeão Quando vom Arminius, VA1 de 1986 e 1987, era consanguíneo 2-4 em Wilma Kisselllucht, 3-5 em Quanto Wienerau e 5-5 em Lido-Liane Wienerau (irmãos inteiros). A filha de Quando Arminius Senta Basilisk, foi a siegerin de 1987 e apresentava 5 consangüinidades. Eiko vom Kirschental, o melhor filho de Uran, foi o sieger de 1988 e apresentava 3 consangüinidades. Outro filho de Quando, Iso Bergmannhof, sieger de 1989, tinha 2 consangüinidades. A bicampeã Inka Eichwaldhutte (filha do VA Gundo Trienzbachtal), foi a siegerin de 1989 e 1990 e tinha 3 consangüinidades. O bicampeão Fanto vom Hirschel, sieger de 1990 e 1991, tinha 5 consangüinidades e a siegerin de 1991, Yolli vom Kreuzbaum, tinha 4 consangüinidades.
Pelo que acabamos de ver, todos os campeões alemães (sieger e siegerin) de 1984 a 1991 possuíam o mínimo de 2 e o máximo de 5 consangüinidades. Este cenário praticamente não se altera quando se estende o estudo a todos os VA's do mesmo período, conforme se pode ver no quadro seguinte (considerei apenas os anos ímpares para evitar repetição de nomes):





Cão VA X Consangüinidades

Nr. de Consang VA's 1985 VA's 1987 VA's 1989 VA's 1991
0
3
0
0 0
1
5 2
1 4
2 9 4 2 2
3 4 4 8 2
4 2 3 4 6
5 2 2 2 2

Podemos deduzir do quadro acima que:

a)Todos os VA's tinham pelo menos 1 consangüinidade, exceto no ano de 1985 quando apenas 3 dos 25 cães não possuíam qualquer consangüinidade.

b)Nenhum VA apresentou mais de 5 ocorrências, sendo que a média no período foi de 3 consangüinidades por cada VA.


Em anos mais recentes a incidência de consangüinidades tem sido maior ainda, e vários animais têm mesmo ultrapassado aquele patamar de 5 ocorrências. Em 1998, por exemplo, o VA8 Fello Farbenspiel alcançava o recorde de 7 consangüinidades, e o sieger Rikkor Bad-Boll e a VA8 Magit Huhnegrab tinham 6 consangüinidades.

Evidencia toda esta prática, uma maior concentração e simplificação do universo genético, sobretudo quando se verifica, no quadro seguinte, os encadeamentos sucessivos de consangüinidades múltiplas, partindo de pai para filhos, netos etc. Nos 22 VA's do ano de 1997, por exemplo, as consangüinidades sobre Palme Wildsteiger Land ocorrem 15 vezes, sobre seu filho Uran ocorrem 14 vezes e igual número de ocorrências são atribuidas à ninhada 'Q' Arminius, cuja mãe também é Palme. Em quarto lugar aparece a ninhada 'X' Armínius com 7 ocorrências.


Encadeamento das Consangüinidades

1 - Pai 2 - Filho 3 - Neto 4 - Bisneto 5 - Trineto
Quando Arminius
(3) consang.
Odin Tannenmeise
(5) consang.

Jeck Noricum
(4) consang.

Visum Arminius
(4) consang.
Max Loggia
(2) consang
      Xanto Grauen
(3) consang.
Largo B. Schloss
(4) consang.
    Zamb Wienerau
(1) consang.
Nero Hirschel
(4) consang.
Odin Hirschel
(4) consang.
Uran Wildst. Land
(2) consang.
Eiko Kirschental
(3) consang.
Yago Wildst. Land
(4) consang
Ulk Arlett
(3) consang
Rikkor
(6) consang
Fedor Arminius
(2) consang.
Mark Haus Beck
(5) consang.
Kimon A. Hoeve
(2) consang
Karly Arminius
(2) consang.
Jello M. Rathaus
(4) consang.
    Folemarkens Jasso
(3) consang.
Lasso Neuenberg
(4) consang
Jumbo Dolomiten
(3) consang
        Enzo Buchhorn
(3) consang.
Gundo Trienzbach.
(5) consang.
Jack Trienzbachtal
(4) consang.
Cash Wildst. Land
(1) consang.
Holly Fichtenschlag
(4) consang.
 


 
Se projetarmos o estudo para 2001, veremos que os níveis de ocorrências são equivalentes e que as incidências continuam majoritariamente sobre Palme. Peguemos, aleatoriamente, Dux della Valcuvia e Larus vom Batu, dois destaques da Sieger de 2001: O VA6 Dux, grande reprodutor da atualidade, é consanguíneo 2-3 no sieger 1996 Visum Arminius e 4-4 no sieger 1984/1985 Uran Wildsteiger Land. (Visum é bisneto de Uran e neto de Odin Tannenmeise, respectivamente filho e neto de Palme), e o SG1 Larus (sieger da 3ª categoria), é consanguíneo 4-4 em Jeck Noricum, 4-4 em Zamb Wienerau e 5,5,5-5,5 em Odin Tannenmeise. Jeck e Zamb são filhos de Odin e, portanto, bisnetos de Palme. Quaisquer que sejam os cães escolhidos aleatoriamente dentre os laureados na sieger alemã, certamente encontraremos sobre eles as mesmas incidências de Palme vom Wildsteiger Land.

E quem foi essa extraordinária matriz, que tão fortemente está presente no moderno pastor alemão? Palme nasceu em fevereiro de 1979, fruto de um abençoado colóquio de 20 minutos entre a VA5/1979 e VA8/1981 Fina vom Badsee(V13 Veit von Haus Köder-linha Canto Wienerau) com o V29/1979 Nick von der Wienerau (Kuno vom Weidtweg-linha Mutz Peltierfarm). A ninhada 'P' Wildsteiger Land, foi de 3 machos e 3 fêmeas. O destaque nas pistas ficou por conta de Perle, siegerin/1982 (VA5/1981) e grau de adestramento CG3. Palme, uma fêmea grande, forte e substanciosa, com muito boas angulações em geral, com garupa de muito bom tamanho e posicionamento. Segundo informou-me o juiz alemão, Sr. Otto Möller, Palme apresentava duas pequeníssimas restrições em sua estrutura: era um pouco alongada e sua cernelha deveria ser algo mais alta. Tinha grau de adestramento CG2 e DCF 'a' Quase Normal

 


Canil Hirten der Nacht
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